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Ciclismo - Treinamento, Fisiologia e Biomecânica Capitulo 4


LESÕES TRAUMÁTICAS


Lesões traumáticas são provocadas por problemas súbitos, e algumas lesões deste tipo são mais propensas de ocorrer na atividade ciclística do que em outros esportes.


Traumas ocorrem normalmente nos ligamentos (torções e deslocamentos), tendões e músculos (distensões), pele (abrasões e lacerações), ossos (fraturas), e órgãos internos (contusões e lacerações).

Uma torção é um repentino ou violento alongamento ou torção de um ligamento ou de um grupo de ligamentos provocando um esgarçamento ou uma ruptura dos mesmos.

Torções de primeiro grau envolvem apenas esgarçamento, torções de segundo grau envolvem ruptura parcial do ligamento, e torções de terceiro grau geram a ruptura total do ligamento.

Uma distensão é uma lesão em um músculo ou um tendão. Normalmente consiste em um alongamento além do normal de um músculo ou tendão.


AS LESÕES DE CONTATO


Nas Mãos:

Os principais problemas que ocorrem com as mãos do ciclista são: formigamento, adormecimento, ralações ou bolhas. Muitas horas sobre a bicicleta, muito peso sobre as mãos, pistas muito esburacadas e falta de amortecimento são suas principais causas.

O amortecimento é feito pelas luvas e pela fita de borracha que cobre as barras do guidom, enquanto a correta distribuição de peso acontece com um bom ajuste da posição sobre a bicicleta.

Algumas das maneiras de se tratar as lesões nas mãos são: usar luvas com gel; usar pneus mais largos/macios; diminuir a pressão dos pneus; usar mais proteção (uma outra fita de guidom sobre a original, por exemplo) e reposicionar as mãos no guidom freqüentemente.


A seguir estão algumas das principais lesões que acometem as mãos do ciclista.


Neuropatia Ulnar


A Neuropatia Ulnar pode ocorrer quando o ciclista pedala por várias horas seguidamente. Ela pode se manifestar através de dor, formigamento, dormência e enfraquecimento da mão através do nervo ulnar atingindo principalmente os dedos anular e mínimo. Apesar deste problema normalmente desaparecer quando se para de pedalar, ele pode levar à perda de função da parte ulnar da mão se não for tratado.


Síndrome do Túnel do Carpo


Esta lesão não é incomum de acontecer, e é provocada pela pressão da mão do flexores do punho e o nervo mediano. A compressão do nervo mediano no guidom da bicicleta pode levar à compressão do túnel onde passam os tendões causar dor, atrofia dos músculos tenares e formigamento na parte radial da mão.

Normalmente sente-se os sintomas no polegar, indicador, médio e anular, podendo se alongar pelo pulso e ir até o antebraço.


Nos Pés


Dores e dormência nos pés podem acontecer quando o equipamento não estiver devidamente encaixado ou posicionado. Sapatos apertados ou com os laços muito apertados são as principais causas a lesões nos pés. Ocasionalmente pedaladas de várias horas podem resultar em desconforto para o pé, e sapatos com os clipes mal posicionados também podem resultar em desconforto e lesões.

O ajuste correto dos clipes nos sapatos permite que o ciclista fique mais confortável e menos propenso a lesões quando respeita as qualidades anatômicas de cada um.


Principais Problemas com os pés dos ciclistas


Pés Quentes: este provavelmente é o pior problema enfrentado por ciclistas em longas pedaladas, tirando os desconfortos do assento. O nome vem da sensação, e não do problema físico em si. Às vezes a sensação do pé quente é tão forte que os ciclistas tentam amenizar o problema borrifando a água das suas garrafas nos pés. Porém o problema raramente vem da temperatura (o que pode ser a real causa em algumas das provas brasileiras), mas sim da compressão dos nervos, da circulação reduzida, e da pressão na sola do pé. A solução é comprar sapatos de ciclismo maiores do que os de passeio (os pés incham durante a pedalada) e colocar uma segunda palmilha, o mais fina possível, para aliviar a pressão e as vibrações na sola do pé. Dar algumas pedaladas apenas forçando a “subida” do pé também funciona momentaneamente. Em pedaladas extremas, com várias etapas acima de duzentos quilômetros por dia, alguns atletas testaram posicionar o pé um pouco para trás do eixo do pedal, a fim de tirar a pressão da parte mais larga do pé, e tiveram resultados satisfatórios. (Burke, 2000)


Bolhas: se o atleta fizer um bom trabalho na seleção da sapatilha, provavelmente não terá bolhas. Mas elas podem ocorrer se numa determinada situação houver fricção entre o pé e a sapatilha. Nestes casos, normalmente a culpa é das meias, então é importante sempre usar meias limpas, secas, do tamanho correto e relativamente novas em longas pedaladas. Normalmente meias de tecido sintético, assim como bermudas, são melhores porque não absorvem muita umidade. Para reduzir a fricção em áreas delicadas do pé pode-se usar vaselina ou cobrir a área com esparadrapos.


Calos: como as bolhas, os calos surgem como formas do corpo se proteger contra irritações de pele. Os calos surgem em locais de maior fricção, como a sola do pé ou os calcanhares. As maiores causas de calos são sapatilhas que não se conformam aos pés ou a postura inadequada do ciclista na bicicleta, podendo ser um problema de ajuste na bicicleta ou uma sutileza na anatomia ou biomecânica do ciclista. No primeiro caso deve-se trocar de sapatilha, e no segundo deve-se rever a regulagem da bicicleta ou consultar um especialista em medicina esportiva. Para reduzir os calos, pode-se usar um ácido especial vendido em farmácias ou uma pedra-pomes para reduzir a grossura da pele.


Unhas encravadas: não é um problema causado diretamente pelo ciclismo, mas ocorre com relativa freqüência em ciclistas, e causa dor durante as pedaladas.

Geralmente ocorre devido a uma unha mal cortada que irrita a pele ao seu redor, levando à inflamação. A solução é cortar as unhas do pé em linha reta, evitando possíveis novas irritações.


Nos Glúteos


Assaduras nas nádegas e na parte interna das coxas são as principais lesões que afligem os ciclistas de longa distância. Muitas das suas causas podem ser evitadas usando equipamento adequado e precauções específicas, mas mesmo tomando todos os cuidados possíveis elas podem ocorrer.

Existem duas teorias que prevalecem sobre a origem das assaduras. Elas envolvem suas três causas: infecção, pressão e fricção.


Outras lesões que afetam a virilha são mais raras, mas também são mais perigosas, pois afetam uma região anatomicamente complexa, de difícil diagnose e tratamento (Lacroix, 2000). A segunda maior reclamação na área da virilha entre homens foi de dormência na área genital, e um estudo revelou que entre 58% e 70% dos homens num grupo de ciclistas na Alemanha reportaram que sofrem de dormência genital (Taylor, 2002).


A primeira teoria lida com a idéia de infecção e glândulas bloqueadas. As bactérias entram na glândula e causam as assaduras. Desta maneira, o tratamento é dirigido à redução de bactérias na pele e na prevenção do bloqueio dos poros. Alguns modelos de bermuda normalmente na faixa de preço entre médio e alta, são feitas com material anti-bactericida justamente para ajudar nesta prevenção.


A segunda teoria lida com a pressão e a fricção. De acordo com a teoria, o aumento da pressão no selim (que acompanha o tempo da pedalada) previne que os pequenos vasos sanguíneos levem sangue para a pele, e esta recebe menos nutrientes. Isso causa uma fragilidade maior da pele, irritação nos poros e bloqueio dos mesmos, prendendo bactérias que podem se proliferar. As assaduras, então, vêm a seguir. Se um ciclista tem constantemente assaduras apenas em uma das pernas, sempre do mesmo lado, pode ser que esta perna seja mais curta do que a outra.


O que é chamado de “assadura” pura e simplesmente pelo ciclista pode se referir a manifestações independentes envolvendo as partes internas das coxas e as nádegas, como furúnculos (glândulas bloqueadas e/ou infectadas são problemas comuns no ciclismo) e a fricção no interior das coxas. A fricção é muito comum e acontece porque o movimento de pedalar fricciona constantemente o interior das coxas na lateral do selim. Muitos ciclistas notam que as partes internas de suas bermudas se dobram e se desgastam com a fricção. Quando isso ocorre com a pele aparece a vermelhidão e o desconforto. A umidade provocada pelo suor e a falta de ventilação do tecido podem aprofundar o problema. As assaduras, quando recorrentes, provocam a ulceração da pele (quando a pele está enfraquecida ou sem a proteção da sua camada externa ela se torna ulcerada) um resultado extremo da constante fricção e pressão.

Uma reclamação recorrente ouvida durante esta pesquisa foi de que em corridas com chuva esse problema é quase certo de acontecer.


Algumas prevenções básicas contra as assaduras são: manter-se seco. Usar bermudas modernas construídas com material sintético que permitem que se dissipe a umidade com mais facilidade; manter-se limpo para minimizar a presença de bactérias; usar bermudas sintéticas com acolchoamento especial para ciclismo; sempre usar bermudas limpas; não usar a mesma bermuda dois dias seguidos; não usar bermudas que estiverem gastas ou com marcas nas partes internas; não aumentar drasticamente as distâncias pedaladas semanalmente; usar selins que se ajustem bem à anatomia própria, e que seja bem macio; checar sempre a posição do assento; não raspar ou depilar os pelos acima da marca da bermuda. Este último provoca irritação e vermelhidão, podendo gerar até infecções.

No caso da assadura estabelecida, existem algumas opções de tratamentos para o problema:

1) treinos modificados. Além de aumentar a quilometragem semanal aos poucos, é importante alternar diferentes tipos de treinamento, como dias longos alternados com dias curtos;

2) modificar o selim;

3) usar uma segunda bermuda sobre a primeira;

4) colocar esparadrapo sobre as assaduras;

5) usar pomada à base de zinco, anti- bactericidas, ou vaselina, para diminuir a fricção;

6) se a assadura estiver realmente forte, e atravessando a pele, pode-se ter que usar antibióticos ou aplicar injeções de cortisona, sob orientação médica.


Continua.....




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6º Ciclotour MTB de Taquaritinga

20 de setembro de 2020

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